Deputado federal registrou crescimento expressivo nos bens apresentados à Justiça Eleitoral; apartamento de R$ 4,44 milhões concentra a maior parte do patrimônio informado
O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 5,48 milhões no registro de sua candidatura para as eleições de 2026. O montante representa uma mudança significativa em relação ao valor apresentado pelo parlamentar no pleito de 2022, quando informou possuir R$ 18.327,66 em bens.
Considerando os valores declarados nas duas eleições, o patrimônio informado pelo deputado passou a ser quase 300 vezes maior em um intervalo de quatro anos.
Entre os bens relacionados na declaração de 2026, o de maior valor é um apartamento avaliado em R$ 4,44 milhões, que sozinho corresponde a mais de 80% do patrimônio total apresentado à Justiça Eleitoral.
O parlamentar também declarou dois veículos, avaliados em R$ 415 mil e R$ 115 mil, respectivamente. A relação de bens inclui ainda aproximadamente R$ 508,6 mil enquadrados na categoria “outros bens e direitos”, além de recursos mantidos em conta corrente.
Em 2022, patrimônio declarado era de R$ 18,3 mil
Na eleição de 2022, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo MDB, Otoni de Paula apresentou uma declaração patrimonial consideravelmente menor.
Na ocasião, constavam R$ 10 mil em quotas de capital social da Editora e Produtora Calvário, além de R$ 8.327,66 depositados em conta no Banco do Brasil, totalizando pouco mais de R$ 18,3 mil.
O histórico eleitoral mostra uma diferença ainda maior quando os dados atuais são comparados aos da primeira candidatura do parlamentar à Câmara. Em 2018, então filiado ao PSC, Otoni informou ao Tribunal Superior Eleitoral não possuir bens a declarar.
Eleito deputado federal naquele ano, Otoni conquistou novo mandato nas eleições de 2022. Em 2026, agora filiado ao PSD do Rio de Janeiro, busca permanecer por mais quatro anos na Câmara dos Deputados.
Declarações são apresentadas pelos próprios candidatos
A relação patrimonial entregue à Justiça Eleitoral integra a documentação exigida para o registro de candidatura. Os valores e bens são informados pelos próprios candidatos e posteriormente disponibilizados para consulta pública nos sistemas da Justiça Eleitoral.
A diferença entre as declarações apresentadas em eleições distintas demonstra a evolução do patrimônio informado, mas, isoladamente, não permite concluir a origem dos recursos nem indica eventual irregularidade. Qualquer análise nesse sentido depende de documentação e informações adicionais sobre aquisição, rendimentos, financiamentos, participações societárias e demais fontes patrimoniais.
