Uso de lenha ainda é realidade em 44% das casas no Maranhão, aponta IBGE

tribunadatarde
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Mesmo com a ampla presença do gás de cozinha nos lares maranhenses, a lenha segue como uma importante fonte de energia para o preparo de alimentos no estado. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 44% das residências no Maranhão utilizam lenha na cozinha.

O levantamento revela um cenário que reflete, sobretudo, questões econômicas. A alta nos preços do gás de botijão tem sido um dos principais fatores que levam famílias, especialmente de baixa renda, a recorrerem à lenha como alternativa. Mais acessível e, em muitos casos, disponível gratuitamente em áreas rurais, esse tipo de combustível acaba sendo uma solução viável diante das dificuldades financeiras.

No entanto, especialistas alertam para a necessidade de interpretar os números com cautela. Segundo o tecnologista da informação do IBGE, José Reinaldo Ribeiro, a metodologia da pesquisa permite que os entrevistados indiquem mais de uma fonte de energia utilizada no domicílio. Isso significa que o uso da lenha não exclui necessariamente o uso do gás.

“É comum que as famílias combinem diferentes fontes, como gás, lenha e até carvão vegetal, dependendo da disponibilidade e do tipo de alimento a ser preparado”, explica Ribeiro.

O dado, portanto, não indica uma substituição completa do gás pela lenha, mas sim um uso complementar, que evidencia estratégias de adaptação das famílias frente às oscilações de preço e renda.

Além do impacto econômico, o uso da lenha também levanta preocupações ambientais e de saúde pública, devido à emissão de fumaça em ambientes fechados. Ainda assim, para muitas famílias maranhenses, ela permanece como uma alternativa essencial no dia a dia.

O cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso a fontes de energia mais seguras e sustentáveis, bem como à redução dos custos do gás de cozinha para a população mais vulnerável.

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