O governo federal intensificou a execução de emendas parlamentares nos primeiros meses de 2026 e alcançou um volume recorde de liberações antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral. Entre janeiro e os primeiros dias de julho, foram pagos R$ 33,89 bilhões destinados a deputados e senadores, montante que supera o registrado no mesmo intervalo de todos os anos eleitorais anteriores.
Com a entrada em vigor do chamado defeso eleitoral, iniciada no último fim de semana, a administração federal fica impedida de realizar novos repasses desse tipo até o encerramento do período previsto na legislação. A medida busca evitar que recursos públicos sejam utilizados de forma a interferir na disputa eleitoral, estabelecendo limites para atos administrativos durante a campanha.
Levantamento realizado com base nas informações do Siga Brasil, plataforma do Senado Federal que acompanha a execução do orçamento da União, mostra que o ritmo de pagamentos em 2026 ultrapassou todos os cinco ciclos eleitorais anteriores, tanto em eleições presidenciais quanto municipais.
O montante já quitado representa aproximadamente 75% de tudo o que foi desembolsado em emendas ao longo de 2025, quando os pagamentos totalizaram R$ 44,97 bilhões. Na comparação com o último ano de eleição presidencial, em 2022, o avanço também é significativo: naquele exercício inteiro foram liberados R$ 28,04 bilhões, valor inferior ao já executado neste ano antes mesmo do segundo semestre.
A maior parcela dos recursos corresponde às emendas parlamentares individuais, que somaram R$ 18,55 bilhões e são destinadas diretamente por deputados e senadores para obras, programas e investimentos em seus redutos eleitorais. As emendas de comissão responderam por R$ 7,68 bilhões, enquanto as emendas de bancada estadual alcançaram R$ 7,28 bilhões.
Os números evidenciam a forte execução orçamentária antes da suspensão dos repasses prevista pela legislação eleitoral. A movimentação ocorre em um momento de maior atenção sobre a destinação de recursos públicos, já que o calendário eleitoral impõe regras específicas para garantir equilíbrio entre os candidatos durante o período de campanha.
