Ex-vereador Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de São Paulo

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Ex-vereador Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de São Paulo

Ex-presidente da Câmara Municipal teve prisão temporária determinada pela Justiça; político nega ligação com facção criminosa e afirma que irá se apresentar às autoridades

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, do União Brasil, tornou-se um dos principais alvos de uma operação deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo para investigar a suposta atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital paulista.

A chamada Operação Vectura Corrupta cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão relacionados à investigação sobre uma possível infiltração do crime organizado no setor de ônibus de São Paulo. Segundo informações divulgadas sobre a investigação, foram expedidos 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

Entre os alvos está Milton Leite, uma das figuras mais conhecidas da política paulistana nas últimas décadas. A Justiça determinou a prisão temporária do ex-parlamentar no âmbito das apurações. Até o início da manhã desta quinta-feira, ele não havia sido localizado pelos agentes que participavam da operação.

Investigação cita empresa de ônibus

De acordo com informações sobre a decisão judicial, investigadores apontam Milton Leite como suposto “dono de fato” da Transwolff, empresa que atuava no sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo e que é investigada por suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e à possível atuação de integrantes ou colaboradores ligados ao PCC.

Os elementos ainda fazem parte de uma investigação em andamento. A própria decisão judicial mencionada pela imprensa registra que parte das análises é preliminar e que as conexões identificadas precisam continuar sendo aprofundadas pelas autoridades.

As investigações buscam esclarecer a estrutura societária e financeira das companhias, a circulação de recursos e a eventual participação de pessoas utilizadas como intermediárias ou representantes formais das empresas.

Segundo o Ministério Público, conforme informações divulgadas nesta quinta-feira, as apurações indicam uma presença expressiva de pessoas ligadas à organização criminosa no sistema de transporte municipal. As responsabilidades individuais, entretanto, ainda deverão ser demonstradas ao longo da investigação e de eventual processo judicial.

Milton Leite nega acusações

Milton Leite rejeitou as suspeitas e afirmou que não possui ligação com o PCC nem seria proprietário de empresa de ônibus.

Em declaração ao UOL nesta quinta-feira, o ex-vereador disse que sua relação com o setor ocorreu de maneira institucional e afirmou ter atuado como interlocutor junto à SPTrans durante a administração do ex-prefeito Bruno Covas, especialmente em razão de problemas ocorridos no sistema de transporte em 2019.

Leite também negou estar foragido. Segundo ele, estava no interior de São Paulo cumprindo compromissos pessoais e acompanhando atividades relacionadas às campanhas eleitorais dos filhos.

O ex-presidente da Câmara afirmou ainda que pretende se apresentar voluntariamente às autoridades. “Vou me apresentar ainda hoje porque não devo nada”, declarou ao UOL.

Quase três décadas na política paulistana

Milton Leite construiu uma das carreiras mais longas da história recente da Câmara Municipal de São Paulo.

Ele chegou ao Legislativo municipal em 1997 e permaneceu na Casa durante sete mandatos consecutivos, encerrando sua trajetória como vereador no final de 2024.

Ao longo desse período, acumulou forte influência política, especialmente na Zona Sul da capital.

Leite presidiu a Câmara paulistana em 2017 e 2018 e voltou ao comando da Casa em 2021, permanecendo na Presidência até o encerramento de 2024. Foi presidente do Legislativo municipal seis vezes.

Nas eleições municipais de 2020, foi reeleito com 132.716 votos, resultado que consolidou sua posição entre os vereadores de maior votação do país naquele pleito.

Em dezembro de 2022, ao ser novamente escolhido para presidir a Câmara, Leite anunciou que aquele seria seu último mandato e que não disputaria a reeleição municipal em 2024.

Influência política permanece

Apesar de ter deixado o mandato, Milton Leite permaneceu atuando nos bastidores da política paulista. Atualmente, ele ocupa a presidência municipal do União Brasil em São Paulo.

A família também mantém presença no cenário político. Seus filhos Alexandre Leite e Milton Leite Filho exercem atividades políticas e disputam as eleições de 2026, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira.

A operação desta quinta-feira coloca novamente o nome de uma das figuras mais influentes do Legislativo paulistano no centro do noticiário político e policial.

As investigações continuam, e o mandado de prisão temporária não representa condenação. Caberá às autoridades reunir e analisar as provas, enquanto a defesa terá direito de contestar as acusações e apresentar sua versão no decorrer do procedimento judicial.

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