Brasil registra o trimestre mais letal da história para as mulheres

tribunadatarde
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O Brasil viveu, nos três primeiros meses de 2026, o período mais violento já registrado contra mulheres desde o início da série histórica do feminicídio, em 2015. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que, entre janeiro e março deste ano, foram contabilizados 399 feminicídios em todo o país.

O número representa um aumento de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025 e estabelece um novo recorde nacional para o trimestre. Janeiro concentrou o maior volume de casos, com 142 mulheres assassinadas por razões de gênero.

Especialistas alertam que os índices refletem o agravamento da violência doméstica e familiar, principal contexto em que os crimes ocorreram. A maioria das vítimas foi morta por companheiros, ex-companheiros ou homens com quem mantinham algum tipo de relação afetiva.

O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 86 feminicídios registrados entre janeiro e março — um crescimento de 41% em comparação ao mesmo período do ano passado. Autoridades de segurança pública apontam que o aumento da reincidência de agressões e a dificuldade de acesso das vítimas à rede de proteção seguem entre os principais desafios para conter os assassinatos.

Entre os casos que tiveram maior repercussão nacional está o assassinato de Alana Anísio Rosa, de 20 anos. A jovem foi morta a facadas dentro de casa, em São Gonçalo, após recusar um pedido de namoro. Segundo as investigações, ela foi atingida mais de 15 vezes.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres cobram do poder público medidas mais efetivas de prevenção, fortalecimento das delegacias especializadas e ampliação de políticas de acolhimento às vítimas de violência doméstica. O crescimento contínuo dos feminicídios evidencia falhas estruturais na proteção às mulheres e reforça a necessidade de ações integradas entre segurança pública, Justiça e assistência social.

O feminicídio é tipificado no Brasil como o assassinato de mulheres em razão do gênero, geralmente associado a violência doméstica, menosprezo ou discriminação contra a condição feminina. A legislação prevê penas mais severas para esse tipo de crime.

Por Marcos Soares

Imagem: Internet

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