Edmilson Costa: quem é o candidato do PCB e o que ele propõe para o Brasil

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Economista, professor universitário e dirigente histórico do Partido Comunista Brasileiro, Edmilson Costa chega à disputa presidencial de 2026 defendendo uma profunda transformação econômica, social e política do país, com a construção do chamado “poder popular” e uma transição rumo ao socialismo.

A eleição presidencial de 2026 reúne candidaturas de diferentes correntes ideológicas e projetos para o Brasil. Entre elas está a de Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que terá a professora Cleusa Santos como candidata a vice-presidente. A chapa foi oficialmente homologada pelo partido em sua Convenção Nacional Eleitoral, realizada em 1º de agosto, em São Paulo.

Com uma trajetória ligada ao movimento estudantil, ao jornalismo, à economia e à militância política, Costa apresenta uma candidatura que se diferencia por propor não apenas mudanças de governo, mas uma alteração estrutural no modelo econômico e político brasileiro.

Quem é Edmilson Costa?

Natural de Pedreiras, no Maranhão, Edmilson Costa tem 76 anos e construiu sua trajetória política dentro do PCB. Segundo informações divulgadas pelo próprio partido, iniciou sua militância ainda jovem, atuou no movimento estudantil e foi perseguido durante a ditadura militar brasileira.

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão, Costa também construiu carreira acadêmica na área econômica. É doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e realizou pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma universidade. É professor universitário e autor de trabalhos sobre capitalismo contemporâneo, economia e crise econômica mundial, além de livros de poesia.

Na política partidária, Edmilson Costa ocupa posição de destaque no PCB. Tornou-se secretário-geral da legenda em 2016 e permanece como uma das principais lideranças nacionais do partido. Antes da atual candidatura, já havia disputado eleições: foi candidato à Prefeitura de São Paulo em 2008 e concorreu à Vice-Presidência da República em 2010, na chapa encabeçada por Ivan Pinheiro.

Uma candidatura que propõe romper com o modelo atual

O programa apresentado pelo PCB parte de uma avaliação de que os principais problemas brasileiros — desigualdade, baixos salários, precariedade dos serviços públicos, déficit habitacional e concentração de renda — estão relacionados ao funcionamento do sistema capitalista.

A proposta de Edmilson Costa, portanto, não é apresentada como uma simples mudança administrativa. O partido defende a construção de um “governo do poder popular”, com uma transição em direção ao socialismo.

Essa posição coloca a candidatura do PCB em uma das correntes mais à esquerda do atual cenário eleitoral. A proposta inclui mudanças profundas na propriedade de empresas, no sistema financeiro, nas relações de trabalho, na estrutura do Congresso Nacional e na organização dos serviços públicos.

O que Edmilson Costa pretende fazer se for eleito?

Economia e sistema financeiro

Uma das principais propostas é a estatização do sistema financeiro e a criação de um Banco dos Trabalhadores, que, segundo o programa do PCB, teria participação na gestão dos fundos previdenciários e de seguridade social.

Costa também defende a criação de uma comissão para investigar a origem da dívida pública e a suspensão do pagamento de juros e amortizações da dívida. O programa prevê ainda a reestatização de empresas consideradas estratégicas, controle do câmbio e do comércio exterior e uma reforma tributária com impostos progressivos.

Na prática, seria uma mudança significativa em relação à política econômica predominante nas últimas décadas, aumentando fortemente o papel do Estado na economia.

Trabalho, salários e jornada

Na área trabalhista, o PCB propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 30 horas, sem redução salarial.

O programa também prevê recuperação do poder de compra dos salários, especialmente do salário mínimo, defendendo como referência o valor calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Outra proposta é garantir direitos trabalhistas aos trabalhadores de plataformas digitais, incluindo registro em carteira e piso salarial.

Saúde

Para a saúde, a candidatura defende a transformação do sistema em uma estrutura integralmente pública, reunindo assistência, pesquisa, produção de medicamentos, vacinas e equipamentos.

O programa também prevê o fortalecimento da atenção básica e a ampliação do atendimento público nos bairros. A proposta é acompanhada da defesa do fim das terceirizações e privatizações na área.

Educação

Na educação, Edmilson Costa propõe uma educação 100% pública e gratuita, além da ampliação dos Institutos Federais e das escolas técnicas.

O programa também prevê a valorização dos profissionais da educação e a ampliação do acesso dos estudantes ao ensino público. Uma das medidas mais abrangentes seria a estatização do sistema privado de ensino, proposta que representaria uma profunda mudança no modelo educacional brasileiro atual.

Transporte público

Outro ponto de destaque é a defesa da tarifa zero no transporte público em todas as cidades brasileiras.

O projeto também prevê investimentos na expansão das redes ferroviária e hidroviária, buscando reduzir a dependência do transporte rodoviário e ampliar o acesso da população ao transporte coletivo.

Moradia e reforma agrária

No campo, o PCB defende uma reforma agrária popular.

Nas cidades, a proposta é implementar um amplo programa de habitação popular com o objetivo de enfrentar o déficit habitacional brasileiro.

Meio ambiente e povos tradicionais

O programa também apresenta propostas ambientais, como recuperação de biomas, rios e solos, além da defesa dos aquíferos nacionais.

Costa defende ainda a demarcação das terras indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

Segurança pública

Na segurança pública, o programa propõe a desmilitarização e reorganização das forças de segurança sob controle social.

A ideia está associada à visão do PCB de ampliar mecanismos de participação popular na formulação e fiscalização das políticas públicas.

Mudanças no sistema político

Talvez uma das propostas mais profundas esteja na estrutura política brasileira.

Edmilson Costa defende a extinção do Senado Federal e a criação de um Parlamento unicameral. O programa também propõe a criação de Conselhos Populares, formados a partir dos locais de trabalho, moradia e estudo, com participação direta da população nas decisões políticas.

O PCB também defende mudanças no Poder Judiciário, incluindo mandatos por tempo definido para integrantes de tribunais regionais e superiores, além de mudanças na estrutura dos meios de comunicação, com combate aos monopólios privados e criação de uma empresa pública de comunicação sob direção de um conselho de trabalhadores.

Política externa

Na política internacional, a candidatura apresenta uma orientação claramente anti-imperialista e de defesa da soberania nacional.

O programa afirma apoio à autodeterminação dos povos e manifesta solidariedade a países e movimentos que o PCB considera vítimas de ações imperialistas. Entre os exemplos citados pelo partido estão Cuba, Palestina e Venezuela.

Essa orientação também prevê uma política externa baseada, segundo o programa, na cooperação entre os países e em uma nova ordem internacional.

Uma candidatura de ruptura

A candidatura de Edmilson Costa representa, portanto, uma proposta de ruptura com o modelo econômico e político vigente, e não apenas uma plataforma de reformas pontuais.

O PCB propõe aumentar drasticamente a presença do Estado em setores estratégicos, ampliar os serviços públicos, reduzir a jornada de trabalho, modificar a estrutura do Congresso, criar mecanismos permanentes de participação popular e conduzir o país em direção ao socialismo.

Ao mesmo tempo, por se tratar de um programa de transformação estrutural, várias das medidas propostas exigiriam mudanças legislativas e institucionais profundas e enfrentariam forte resistência política e econômica. A extensão dessas mudanças dependeria, portanto, da capacidade de um eventual governo de construir apoio no Congresso, nas instituições e na sociedade.

Quem é o eleitor que Edmilson Costa busca representar?

A candidatura do PCB procura dialogar principalmente com trabalhadores, movimentos sociais, sindicatos, juventude, moradores das periferias, estudantes e setores que defendem uma transformação radical da sociedade brasileira.

O próprio partido apresenta a candidatura como uma alternativa ao que chama de conciliação entre classes e ao modelo econômico baseado na predominância do capital financeiro e privado.

Em um cenário eleitoral marcado por projetos bastante distintos, Edmilson Costa coloca na mesa uma pergunta central: o Brasil deve apenas reformar o sistema existente ou buscar uma transformação profunda de suas estruturas econômicas e políticas?

É a segunda alternativa que o candidato do PCB apresenta ao eleitorado em 2026.

Em resumo

Edmilson Costa é economista, professor universitário e dirigente histórico do PCB. Sua candidatura à Presidência, tendo Cleusa Santos como vice, foi oficializada em agosto de 2026.

Seu programa prevê, entre outras medidas:

  • estatização do sistema financeiro;
  • criação de um Banco dos Trabalhadores;
  • suspensão do pagamento da dívida pública;
  • reestatização de empresas estratégicas;
  • fim da escala 6×1;
  • jornada de 30 horas semanais sem redução salarial;
  • fortalecimento e ampliação dos serviços públicos;
  • saúde e educação públicas;
  • tarifa zero no transporte;
  • reforma agrária popular;
  • programa nacional de habitação;
  • desmilitarização da segurança pública;
  • extinção do Senado e criação de Parlamento unicameral;
  • criação de Conselhos Populares;
  • democratização dos meios de comunicação;
  • medidas ambientais e proteção de territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos;
  • transição política e econômica rumo ao socialismo.

A candidatura, portanto, apresenta ao eleitor uma proposta de transformação radical do Estado e da economia brasileira, colocando o “poder popular” e o socialismo no centro de seu projeto para o país.

Fonte: informações oficiais do PCB e reportagens sobre as eleições presidenciais de 2026.

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