Candidato do NOVO, número 30, André Marinho chega à disputa pelo Palácio Guanabara defendendo ruptura com a política tradicional, endurecimento na segurança pública e maior eficiência da máquina estadual
O comunicador e empresário André Marinho, do Partido NOVO (30), é um dos candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Aos 32 anos, ele disputa pela primeira vez um cargo eletivo e tenta transformar a visibilidade conquistada na televisão, no rádio e nas redes sociais em capital político.
A candidatura foi confirmada pelo NOVO e aparece entre as registradas para a disputa fluminense. Marinho terá como candidata a vice-governadora Erigreyce Monteiro, tenente-coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, também filiada ao NOVO.
Com um discurso centrado nas ideias de renovação, ruptura com grupos políticos tradicionais, segurança pública e eficiência administrativa, Marinho procura se apresentar ao eleitorado como uma alternativa aos nomes que já ocupam ou ocuparam espaços de destaque na política estadual.
Quem é André Marinho
André Bourguignon Marinho nasceu no Rio de Janeiro em 10 de agosto de 1994. Filho do empresário e político Paulo Marinho, construiu sua própria trajetória profissional principalmente na área de comunicação.
Marinho tornou-se conhecido nacionalmente pelas imitações de políticos e personalidades públicas. Ganhou projeção em programas da Jovem Pan, especialmente no Pânico, e posteriormente passou a atuar também como apresentador e comentarista, incluindo participação no Morning Show. Além da televisão e do rádio, desenvolveu forte presença nas redes sociais e na produção de conteúdo digital.
Também é autor do livro O Brasil (Não) É Uma Piada, obra na qual aborda episódios da política brasileira e experiências de sua trajetória como comunicador.
Apesar de ter convivido desde cedo com figuras do meio político, 2026 marca sua primeira disputa por um mandato eletivo.
Formação acadêmica
A trajetória acadêmica de André Marinho merece uma precisão importante. Algumas reportagens chegaram a apresentá-lo como formado em Ciência Política pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos. Entretanto, informações publicadas posteriormente indicam que Marinho estudou Ciência Política e Negócios na New York University (NYU), mas não concluiu o curso na instituição.
Segundo o próprio candidato, ele estudou na universidade norte-americana entre 2014 e 2015 e decidiu retornar ao Brasil. Depois, cursou Direito na PUC-Rio e concluiu a graduação em Direito em 2020, após transferência para o Instituto Damásio, ligado ao Ibmec em São Paulo.
O próprio Marinho afirmou que nunca declarou ter concluído sua graduação na NYU e que sua comunicação de campanha faz referência ao período em que estudou na universidade, e não a uma formação concluída naquela instituição.
Da comunicação para a política
A entrada de Marinho na disputa eleitoral ocorreu após sua filiação ao NOVO em 2026. A legenda lançou sua pré-candidatura ao Governo do Rio em maio, em um evento com a presença de lideranças nacionais do partido, entre elas Romeu Zema.
Desde o lançamento, o candidato passou a adotar um discurso de forte contraposição ao modelo político que predominou no estado nas últimas décadas.
Marinho afirma que pretende representar uma “ruptura” e sustenta que o Rio precisa abandonar práticas associadas à velha política e a sucessivas crises administrativas e institucionais. Em declarações públicas, procura se diferenciar tanto de candidaturas vinculadas à esquerda quanto de setores tradicionais da direita fluminense.
A estratégia da campanha procura associar sua imagem à de um outsider, isto é, alguém que chega à disputa sem experiência anterior em cargos eletivos.
Segurança pública é uma das principais bandeiras
Entre os temas apresentados até agora pela campanha, a segurança pública ocupa posição central.
Marinho reuniu especialistas das áreas policial, militar, jurídica e de gestão para formular propostas para o setor. O grupo recebeu da campanha o nome de “Super Conselho de Segurança” e passou a colaborar na elaboração de um projeto denominado “Sai Fuzil, Entra Brasil”.
O conselho apresentado pela campanha inclui nomes como Rogério Greco, secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais; André Batista, ex-comandante do Bope; Roberto Motta, ex-secretário de Segurança do Rio; Marcelo Rocha Monteiro, procurador de Justiça do Ministério Público do Rio; o major Leonardo Novo e o coronel da reserva do Exército Alessandro Visacro.
A proposta parte do diagnóstico de que o avanço das organizações criminosas e a circulação de armamento pesado exigem uma mudança estrutural na política estadual de segurança.
A campanha pretende colocar o combate ao domínio territorial de organizações criminosas entre as prioridades de uma eventual administração.
Combate ao crime organizado
Ao longo da pré-campanha e dos primeiros debates eleitorais, André Marinho tem colocado a expansão das facções e das milícias entre os principais problemas do Rio.
O candidato defende uma atuação mais firme do Estado e procura associar sua candidatura à ideia de retomada do controle territorial e fortalecimento das instituições de segurança.
Sua escolha para vice também reforça esse eixo. Erigreyce Monteiro é tenente-coronel da Polícia Militar, fazendo com que a área de segurança tenha peso significativo na composição da chapa do NOVO.
Renovação da máquina pública
Outro ponto recorrente no discurso do candidato é a necessidade de melhorar a eficiência do governo estadual.
Marinho defende uma administração mais enxuta, técnica e orientada por resultados, seguindo uma das principais linhas ideológicas do Partido NOVO.
A candidatura sustenta que a renovação política não deve ocorrer apenas pela troca de nomes no comando do governo, mas também pela revisão da estrutura administrativa, dos critérios de ocupação dos cargos públicos e do funcionamento de órgãos estaduais.
O candidato vem apresentando como bandeira a redução da influência de grupos políticos tradicionais na administração fluminense e a formação de equipes consideradas técnicas.
Combate à corrupção e crítica à política tradicional
A campanha também procura transformar o histórico de crises políticas do Rio de Janeiro em um dos principais argumentos eleitorais.
No lançamento de sua pré-candidatura, Marinho afirmou que o estado deveria escolher um caminho diferente daquele representado, segundo ele, pelas forças políticas que vêm se alternando no poder.
O discurso de campanha emprega frequentemente conceitos como “reset”, “ruptura” e “renovação”, buscando transmitir a ideia de reconstrução institucional.
A estratégia é apresentar a candidatura do NOVO como uma opção para o eleitor que rejeita tanto os grupos tradicionais ligados às antigas administrações estaduais quanto a polarização política nacional.
Saúde, educação, transporte e economia
Além da segurança pública, Marinho tem colocado temas como saúde, educação, transporte, economia e modernização da gestão pública entre as áreas que deverão integrar seu programa de governo.
Nos debates da campanha, os candidatos ao Governo do Rio vêm sendo questionados sobre essas áreas, e Marinho tem procurado vinculá-las ao princípio de melhoria da eficiência administrativa.
Na economia, sua candidatura está politicamente alinhada aos princípios defendidos pelo NOVO, que historicamente sustenta maior liberdade econômica, incentivo à iniciativa privada, redução de burocracia e controle de gastos públicos.
A campanha, entretanto, ainda passa pelo processo de detalhamento público das medidas específicas que serão implantadas em cada área. Por isso, é importante diferenciar diretrizes políticas anunciadas de projetos já completamente estruturados e apresentados.
Uma candidatura que aposta no eleitor insatisfeito
A trajetória eleitoral de André Marinho começa justamente pelo maior cargo do Executivo estadual.
Sem passagem anterior pela Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados ou prefeituras, ele aposta na imagem construída fora da política eleitoral tradicional para conquistar espaço entre os fluminenses.
O desafio será transformar reconhecimento nas redes e na comunicação em votos suficientes para competir com candidatos que possuem estruturas políticas mais antigas e maior experiência eleitoral.
Ao lançar a candidatura, Marinho afirmou que vê espaço para uma alternativa de ruptura no estado e declarou que pretende disputar o eleitor insatisfeito com os principais grupos políticos do Rio.
Eleições 2026
André Marinho disputa o Governo do Estado pelo Partido NOVO, número 30, em uma eleição marcada por forte debate sobre segurança pública, equilíbrio fiscal, corrupção, funcionamento das instituições e reconstrução da capacidade administrativa do Rio de Janeiro.
A disputa reúne nomes com trajetórias bastante distintas, e Marinho chega ao pleito tentando ocupar justamente o espaço de candidato de renovação.
Seu desempenho nas urnas dependerá agora da capacidade de apresentar ao eleitor não apenas críticas ao modelo político vigente, mas também propostas detalhadas e viáveis para problemas históricos do estado.
Com a campanha oficialmente nas ruas, o candidato terá pela frente o desafio de explicar como pretende transformar o discurso de “reset, ruptura e renovação” em políticas públicas concretas para os mais de 16 milhões de habitantes do Estado do Rio de Janeiro.
