The Economist aponta “proximidade excessiva” entre ministros do STF e banqueiro Daniel Vorcaro

tribunadatarde
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A revista britânica The Economist publicou, nessa terça-feira (24/2), uma reportagem afirmando que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mantêm relação “excessivamente próxima” com a elite empresarial e política do país. O texto destaca especialmente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mencionando o envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Intitulada “O Supremo Tribunal Federal do Brasil está envolvido em um enorme escândalo”, a matéria apresenta um panorama da polêmica e afirma que alguns dos juízes brasileiros estariam entre os “mais poderosos do mundo”. Segundo a revista, a suposta proximidade com empresários pode se tornar munição política para a oposição, sobretudo em meio às eleições gerais previstas para outubro.

O veículo ressalta que há expectativa de avanço de candidatos de direita no Senado, o que poderia abrir caminho para tentativas de destituição de ministros do STF. De acordo com a publicação, a direita brasileira mantém “animosidade especial” contra a Corte por seu papel nos processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem relembra a prisão de Vorcaro e afirma que o episódio revelou uma suposta relação de negócios com Toffoli, incluindo investimento em um resort de luxo ligado ao magistrado e transações que somariam R$ 20 milhões para uma empresa de sua propriedade. O texto também menciona o envolvimento do banqueiro com a construtora Odebrecht, descrita como a empresa no centro do maior escândalo de corrupção da história da América Latina.

Em relação a Alexandre de Moraes, a revista afirma que o ministro “também está em apuros”. Segundo a publicação, ele, na condição de relator de ações relacionadas à disseminação de notícias falsas, teria determinado investigação após o vazamento de informações sobre um contrato considerado “incomumente vago e lucrativo” firmado entre o Banco Master e sua esposa.

A matéria ainda aborda o que classifica como prática disseminada de nepotismo no STF, sustentando que parentes próximos de ministros figuram entre os principais advogados em julgamentos na Corte.

Até o momento, os citados não haviam se manifestado publicamente sobre o conteúdo da reportagem internacional. O caso amplia a pressão política sobre o Supremo em um momento de forte polarização institucional no país.

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