Sem público espontâneo, Lula recorre a militância e funcionalismo para “lotar” evento

tribunadatarde
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Governo Lula é acusado de convocar militância e servidores para inflar público em ato do 8 de Janeiro e enfrenta críticas por uso político da máquina pública

O ato oficial promovido pelo governo federal em memória aos três anos dos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 foi marcado por controvérsias e críticas ao Palácio do Planalto. Em meio ao esvaziamento natural de Brasília durante o recesso de janeiro, a gestão Lula (PT) lançou mão de estratégias vistas por opositores e setores independentes como uma tentativa de inflar artificialmente o público presente no evento.

Auxiliares do governo teriam convocado informalmente servidores de diversos ministérios da Esplanada para comparecerem ao ato no Palácio do Planalto. A mobilização, não teria caráter voluntário, o que levanta questionamentos sobre possível constrangimento funcional e uso indevido da estrutura do Estado para fins políticos. A iniciativa revela o receio do governo de enfrentar um esvaziamento simbólico em uma data que o próprio Planalto tenta consolidar como marco da “defesa da democracia”.

A estratégia não se limitou ao funcionalismo público. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, articulou a presença de movimentos sociais historicamente alinhados ao governo, enquanto o Partido dos Trabalhadores organizou atos paralelos com sindicatos e entidades militantes. A sobreposição entre evento institucional e mobilização partidária reforçou a percepção de que a cerimônia teve menos caráter republicano e mais viés de propaganda política.

O desconforto institucional ficou ainda mais evidente com a sinalização de não comparecimento dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Ambos teriam optados por não comparecer ao ato, sinalizando insatisfação com o tom adotado pelo governo e com a condução de um evento que, segundo avaliações nos bastidores do Congresso, deveria priorizar a união nacional e não a promoção de uma narrativa ideológica específica.

O episódio amplia o isolamento político do presidente Lula e reacende o debate sobre os limites éticos no uso da máquina pública. Ao recorrer a servidores e militantes para compor plateia, o governo fragiliza o discurso democrático que pretende defender e transforma uma data de reflexão institucional em um ato marcado por divisões, interesses partidários e questionamentos sobre a real sustentação popular de sua gestão.

Por Marcos Soares – Jornalista – Analista Político

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