
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (15), a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os imóveis que receberam equipes federais estão uma cobertura de luxo avaliada em R$ 22 milhões, em Niterói, além de mansões localizadas em Angra dos Reis e na região de Itaipava, em Petrópolis.
A operação teve como alvos agentes públicos, policiais civis e pessoas apontadas como responsáveis pela articulação política e financeira do suposto esquema criminoso. Segundo as investigações, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos.
Cobertura milionária chama atenção dos investigadoresUm dos principais endereços vistoriados pela Polícia Federal foi uma cobertura duplex localizada em Camboinhas, bairro nobre da Região Oceânica de Niterói.
Avaliado em aproximadamente R$ 22 milhões, o imóvel possui 536 metros quadrados, vista privilegiada para o mar, sete quartos, sendo cinco suítes, piscina, hidromassagem, espaço gourmet e cinco vagas de garagem.
A propriedade está vinculada ao inspetor da Polícia Civil José Carlos Alves de Souza Júnior, um dos investigados presos durante a operação.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, os agentes federais localizaram R$ 40 mil em dinheiro em espécie guardados na adega da residência. A quantia foi apreendida e deverá ser analisada no contexto das investigações para esclarecer sua origem e eventual relação com as atividades apuradas.
Ex-prefeito e ex-chefe da Polícia Civil estão entre os presosA ofensiva policial resultou no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão, distribuídos por sete municípios do estado do Rio de Janeiro.
Entre os presos estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito nas eleições de 2026, e o delegado Marcus Amim, que já ocupou o comando da Secretaria de Estado de Polícia Civil.
Também foram presos quatro inspetores da Polícia Civil, identificados como Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira.
O delegado Glaucio Paz da Silva também foi alvo de mandado de busca e apreensão.
As diligências foram realizadas nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Investigação apura uso de postos de combustíveis para movimentações financeiras suspeitasDe acordo com a Polícia Federal, a organização investigada teria utilizado empresas do setor de combustíveis como instrumentos para movimentar e ocultar recursos de origem suspeita.
A investigação também busca esclarecer a possível participação de agentes públicos na estrutura do grupo, incluindo eventuais mecanismos de proteção institucional e facilitação das atividades investigadas.
A Justiça determinou ainda medidas de bloqueio patrimonial que podem alcançar R$ 700 milhões em bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de preservar recursos eventualmente relacionados ao esquema.
Operação busca identificar patrimônio e responsabilidadesA nova fase da Operação Unha e Carne representa mais uma etapa das investigações sobre possíveis conexões entre atividades empresariais, agentes de segurança pública e integrantes do meio político fluminense.
Além da análise das movimentações financeiras, os investigadores buscam identificar a origem dos recursos utilizados na aquisição de imóveis de alto padrão e outros bens vinculados aos suspeitos.
Os investigados poderão responder, conforme a apuração individual das condutas, por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e participação em organização criminosa.
As prisões e as medidas cautelares não representam condenação definitiva. As responsabilidades deverão ser estabelecidas no decorrer do processo judicial, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Até as informações divulgadas em 15 de outubro, representantes das defesas de investigados afirmavam aguardar acesso aos autos para se manifestar sobre as acusações.
A Polícia Federal prossegue com a análise dos documentos, valores e materiais apreendidos para aprofundar a investigação sobre a origem e a destinação dos recursos movimentados pelo grupo.


