Pesquisa aponta divisão sobre desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva

tribunadatarde
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Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (25) revela que a homenagem prestada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiu opiniões entre os brasileiros. O levantamento indica um cenário polarizado quanto à legalidade do desfile, à possível participação do governo federal na produção e à presença do chefe do Executivo no sambódromo.

De acordo com a pesquisa, 47,9% dos entrevistados consideram que o desfile está “dentro da legalidade e faz parte da liberdade de expressão da escola”. Em contrapartida, 45,4% avaliam que a apresentação configurou propaganda eleitoral antecipada e que o caso deveria ser analisado e eventualmente punido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outros 6,8% afirmaram não saber opinar.

O levantamento também questionou se houve participação do governo federal na preparação de elementos como samba-enredo, alegorias e fantasias. Para 40,9%, o desfile foi totalmente produzido pela escola, sem interferência externa. Já 32,8% acreditam que o governo participou ativamente da idealização. Outros 14,4% consideram que pode ter havido algum envolvimento, enquanto 11,9% não souberam responder.

A ida do presidente ao sambódromo também gerou avaliações divergentes. Para 46,7% dos entrevistados, a presença teve conotação negativa, sendo interpretada como uso do evento para promoção eleitoral antecipada. Já 41,7% consideraram positiva a participação do presidente, entendendo-a como prestígio a um evento relevante para a cultura e a economia do país. Outros 8% mantiveram posição neutra e 3,6% não souberam opinar.

Ala “Famílias em conserva” provoca reações

Entre os pontos mais comentados do desfile esteve a ala “Famílias em conserva”, que suscitou críticas por parte de setores da oposição. Segundo a pesquisa, 41,8% dos entrevistados classificaram a apresentação como uma crítica legítima ao conservadorismo. Por outro lado, 32,9% enxergaram zombaria ofensiva de valores tradicionais, enquanto 10,2% consideraram tratar-se de intolerância religiosa.

Para 9,1%, a alegoria foi apenas um elemento de humor típico do carnaval. Outros 6% não souberam responder.

Quando perguntados se se sentiram pessoalmente ofendidos pela representação, 56,2% afirmaram que não. Já 31,8% disseram ter considerado a alegoria muito ofensiva, enquanto 7,4% relataram ter se sentido pouco ofendidos. Outros 4,6% não opinaram.

A pesquisa também abordou se Lula deveria ter aceitado a homenagem. Para 35,5% dos entrevistados, o presidente deveria ter recusado. Outros 30,9% avaliaram que ele agiu corretamente ao aceitar e participar do evento. Já 29% consideraram que ele poderia ter aceitado a homenagem, mas mantido distância do desfile. Apenas 4,6% não souberam responder.

Em declaração a jornalistas durante viagem oficial a Nova Délhi, na Índia, Lula afirmou estar “muito grato” pela homenagem.“Cabia ao presidente da República aceitar ou não a homenagem, e eu aceitei. Assim que retornar ao Brasil, vou visitar a escola de samba para agradecer”, declarou.

O episódio reforça o ambiente de polarização política no país, refletido inclusive em manifestações culturais tradicionais como o carnaval.

 

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