Operação da PF expõe gestão do Rioprevidência e amplia desgaste político do governo Cláudio Castro

tribunadatarde
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A Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (23), vai além de uma apuração técnica sobre operações financeiras suspeitas e se transforma em mais um episódio de desgaste para o governador Cláudio Castro, ao atingir diretamente o comando do Rioprevidência, órgão estratégico responsável pela administração das aposentadorias dos servidores do Estado do Rio de Janeiro.

O principal alvo da ação é o presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, nomeado por Castro, além de ex-diretores de investimentos que passaram pela gestão estadual sob sua supervisão. A investigação aponta operações consideradas irregulares envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, reacendendo dúvidas sobre a segurança, a transparência e os critérios adotados na aplicação de recursos públicos bilionários.

Por determinação da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, a PF cumpre quatro mandados de busca e apreensão. Embora o governador não figure formalmente como investigado, a operação escancara a responsabilidade política direta de Cláudio Castro sobre a condução do fundo, já que as nomeações e diretrizes estratégicas do Rioprevidência passam pelo crivo do Palácio Guanabara.

O caso se soma a um histórico de crises e escândalos envolvendo a previdência estadual, marcada por sucessivas denúncias de má gestão, rombos financeiros e decisões questionáveis ao longo de diferentes governos. Ainda assim, sob a atual administração, alertas de órgãos de controle e críticas de especialistas sobre a política de investimentos não resultaram em mudanças estruturais capazes de blindar o fundo contra riscos.

A ofensiva da Polícia Federal reforça a percepção de que o Rioprevidência segue operando sob fragilidades institucionais, enquanto servidores ativos e aposentados convivem com incertezas quanto à sustentabilidade do sistema. Para críticos do governo, a investigação evidencia a ausência de controle efetivo e de responsabilidade política, transformando o fundo em terreno fértil para decisões de alto risco.

Até o momento, Cláudio Castro não se manifestou sobre a operação nem sobre a escolha dos dirigentes agora investigados. O silêncio do governo, diante da gravidade do caso, amplia a pressão por explicações públicas, apuração rigorosa e mudanças profundas na gestão da previdência estadual.

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