O Congresso Nacional retoma seus trabalhos no dia 2 de fevereiro em meio a um dos ambientes políticos mais instáveis dos últimos anos. Câmara e Senado voltam do recesso pressionados por uma sociedade cansada de improvisos, discursos vazios e de um governo que governa mais pelos tribunais do que pelo voto.
O ano legislativo começa sob o peso de pautas decisivas: controle fiscal, responsabilidade orçamentária, limites do endividamento público, revisão de programas assistenciais e, sobretudo, a urgente discussão sobre a interferência excessiva do Judiciário na atividade política. O Parlamento será testado quanto à sua capacidade de reagir ao esvaziamento de suas próprias prerrogativas.
Em ano de eleições gerais e também de Copa do Mundo, o Brasil entra em um período em que a política se mistura com o humor social. E o humor do eleitor não é favorável ao Planalto. Pesquisas recentes indicam rejeição superior a 50% ao presidente Lula, com índices que seguem em curva ascendente — um sinal claro de desgaste acelerado.
A rejeição não surge por acaso. Ela é alimentada por falas desastradas, discursos confusos e declarações que beiram o deboche institucional. Lula demonstra dificuldades recorrentes de comunicação, dependência excessiva de textos previamente escritos e uma incapacidade evidente de improvisar sem gerar crises. Quando fala livremente, expõe convicções que preocupam: relativização da democracia, tolerância com regimes autoritários e alianças políticas questionáveis.
Enquanto isso, a direita se reorganiza e cresce. O senador Flávio Bolsonaro desponta como pré-candidato competitivo, ganhando espaço nas pesquisas e consolidando-se como alternativa real para um eleitorado que rejeita o atual governo e busca mudança.
O Congresso que retorna do recesso terá papel fundamental: conter excessos do Executivo, resgatar o protagonismo do voto popular e impedir que o Brasil continue sendo governado por decisões judiciais em substituição ao debate parlamentar.
O retorno do recesso não é apenas o reinício dos trabalhos. É um divisor de águas. Ou o Parlamento reassume seu papel constitucional, ou seguirá assistindo ao esvaziamento da democracia representativa.
Por William Dornellas – Jornalista e Colunista