Muito além do imaginário popular, o necroturismo tem conquistado espaço entre viajantes interessados em história, arquitetura, arte e memória. A prática consiste na visitação de cemitérios históricos, mausoléus, memoriais e locais que preservam importantes capítulos da trajetória de uma sociedade. Para muitos, esses espaços representam verdadeiros museus a céu aberto. Esculturas, monumentos, símbolos religiosos e túmulos de personalidades ajudam a contar histórias que atravessam gerações e revelam aspectos culturais de diferentes épocas. Segundo Samantha Lobo, especialista no tema, o necroturismo vai além da curiosidade sobre a morte. A proposta é compreender como as sociedades lidam com a memória, homenageiam seus personagens históricos e preservam patrimônios que fazem parte da identidade coletiva. Durante a entrevista, Samantha destaca que diversos cemitérios brasileiros e internacionais recebem visitantes interessados em conhecer suas riquezas artísticas e históricas. Muitos desses locais são considerados importantes pontos turísticos e culturais, reunindo obras de arte, arquitetura singular e registros valiosos do passado. O crescimento desse segmento demonstra que o turismo pode assumir diferentes formas de conexão com a história. Mais do que visitar lugares, trata-se de compreender narrativas humanas, refletir sobre a passagem do tempo e valorizar a preservação da memória. Ao transformar espaços de lembrança em ambientes de conhecimento, o necroturismo convida o público a enxergar a história por uma nova perspectiva: aquela que permanece viva por meio das memórias que uma sociedade escolhe preservar.  Cemitérios são verdadeiros museus a céu aberto Muitos abrigam esculturas, vitrais, capelas e obras de arte assinadas por artistas renomados. Alguns possuem valor histórico e artístico comparável ao de museus tradicionais.  Existe turismo funerário no mundo todo Locais como o Père-Lachaise Cemetery, em Paris, recebem milhões de visitantes interessados em conhecer os túmulos de personalidades famosas. [embed]https://www.youtube.com/shorts/JZnYgHVnZ-4?feature=share[/embed] Túmulos de celebridades atraem turistas Pessoas visitam os locais de descanso de artistas, escritores, políticos e figuras históricas para conhecer mais sobre suas trajetórias e prestar homenagens. Cemitérios contam a história das cidades A arquitetura dos túmulos, os sobrenomes das famílias e os símbolos presentes nas lápides ajudam a compreender a imigração, a economia e os costumes de diferentes épocas. Há roteiros guiados noturnos Em várias cidades do mundo, visitas noturnas são realizadas com foco histórico e cultural, não em histórias de terror. O objetivo é apresentar personagens e acontecimentos importantes ligados ao local. Símbolos têm significados Anjos, mãos entrelaçadas, flores, colunas quebradas e ampulhetas aparecem frequentemente em lápides e monumentos, cada um com um significado relacionado à vida, à morte ou à memória.  O Brasil também tem destinos famosos O Cemitério da Consolação é conhecido pelo patrimônio artístico, enquanto o Cemitério São João Batista reúne túmulos de diversas personalidades brasileiras.  Não é sobre morte, mas sobre memória Uma das maiores curiosidades é que os praticantes do necroturismo geralmente não buscam experiências macabras. O interesse costuma estar ligado à história, genealogia, arquitetura, arte e preservação cultural. Samantha Lobo revela como cemitérios se transformam em espaços de história, cultura e memória Especialista em roteiros culturais realizados em cemitérios históricos, Samantha apresenta uma nova perspectiva sobre esses espaços, destacando sua importância para a preservação da memória, da arte e da história. Durante a entrevista, ela explica como o necroturismo contribui para a valorização do patrimônio cultural e compartilha curiosidades sobre personagens, monumentos e acontecimentos marcantes que ajudaram a construir a identidade do Rio de Janeiro. A conversa também aborda os desafios de quebrar preconceitos em torno do tema e mostra como os cemitérios podem ser compreendidos como verdadeiros museus a céu aberto, reunindo arte tumular, arquitetura e importantes capítulos da história brasileira. Uma entrevista que convida o público a refletir sobre memória, patrimônio e sobre as muitas histórias que continuam vivas através do tempo. Samantha Lobo é professora, guia de turismo e criadora do projeto Necrotour RJ, que promove visitas guiadas em cemitérios históricos do Rio de Janeiro com foco cultural, educativo e patrimonial.

Ela costuma dizer que os cemitérios ajudam a compreender a própria cidade, suas transformações e desigualdades sociais ao longo da história.

Quem quiser fazer esse passeio é só entrar em contato com a Samantha Lobo no seu Instagram @necroturrj   Por Luciana Perez