Necroturismo: quando a história, a memória e a cultura se encontram

tribunadatarde
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Muito além do imaginário popular, o necroturismo tem conquistado espaço entre viajantes interessados em história, arquitetura, arte e memória. A prática consiste na visitação de cemitérios históricos, mausoléus, memoriais e locais que preservam importantes capítulos da trajetória de uma sociedade.

Para muitos, esses espaços representam verdadeiros museus a céu aberto. Esculturas, monumentos, símbolos religiosos e túmulos de personalidades ajudam a contar histórias que atravessam gerações e revelam aspectos culturais de diferentes épocas.

Segundo Samantha Lobo, especialista no tema, o necroturismo vai além da curiosidade sobre a morte. A proposta é compreender como as sociedades lidam com a memória, homenageiam seus personagens históricos e preservam patrimônios que fazem parte da identidade coletiva.

Durante a entrevista, Samantha destaca que diversos cemitérios brasileiros e internacionais recebem visitantes interessados em conhecer suas riquezas artísticas e históricas. Muitos desses locais são considerados importantes pontos turísticos e culturais, reunindo obras de arte, arquitetura singular e registros valiosos do passado.

O crescimento desse segmento demonstra que o turismo pode assumir diferentes formas de conexão com a história. Mais do que visitar lugares, trata-se de compreender narrativas humanas, refletir sobre a passagem do tempo e valorizar a preservação da memória.

Ao transformar espaços de lembrança em ambientes de conhecimento, o necroturismo convida o público a enxergar a história por uma nova perspectiva: aquela que permanece viva por meio das memórias que uma sociedade escolhe preservar.

 Cemitérios são verdadeiros museus a céu aberto

Muitos abrigam esculturas, vitrais, capelas e obras de arte assinadas por artistas renomados. Alguns possuem valor histórico e artístico comparável ao de museus tradicionais.

 Existe turismo funerário no mundo todo

Locais como o Père-Lachaise Cemetery, em Paris, recebem milhões de visitantes interessados em conhecer os túmulos de personalidades famosas.

Túmulos de celebridades atraem turistas

Pessoas visitam os locais de descanso de artistas, escritores, políticos e figuras históricas para conhecer mais sobre suas trajetórias e prestar homenagens.

Cemitérios contam a história das cidades

A arquitetura dos túmulos, os sobrenomes das famílias e os símbolos presentes nas lápides ajudam a compreender a imigração, a economia e os costumes de diferentes épocas.

Há roteiros guiados noturnos

Em várias cidades do mundo, visitas noturnas são realizadas com foco histórico e cultural, não em histórias de terror. O objetivo é apresentar personagens e acontecimentos importantes ligados ao local.

Símbolos têm significados

Anjos, mãos entrelaçadas, flores, colunas quebradas e ampulhetas aparecem frequentemente em lápides e monumentos, cada um com um significado relacionado à vida, à morte ou à memória.

 O Brasil também tem destinos famosos

O Cemitério da Consolação é conhecido pelo patrimônio artístico, enquanto o Cemitério São João Batista reúne túmulos de diversas personalidades brasileiras.

 Não é sobre morte, mas sobre memória

Uma das maiores curiosidades é que os praticantes do necroturismo geralmente não buscam experiências macabras. O interesse costuma estar ligado à história, genealogia, arquitetura, arte e preservação cultural.

Samantha Lobo revela como cemitérios se transformam em espaços de história, cultura e memória

Especialista em roteiros culturais realizados em cemitérios históricos, Samantha apresenta uma nova perspectiva sobre esses espaços, destacando sua importância para a preservação da memória, da arte e da história. Durante a entrevista, ela explica como o necroturismo contribui para a valorização do patrimônio cultural e compartilha curiosidades sobre personagens, monumentos e acontecimentos marcantes que ajudaram a construir a identidade do Rio de Janeiro.

A conversa também aborda os desafios de quebrar preconceitos em torno do tema e mostra como os cemitérios podem ser compreendidos como verdadeiros museus a céu aberto, reunindo arte tumular, arquitetura e importantes capítulos da história brasileira.

Uma entrevista que convida o público a refletir sobre memória, patrimônio e sobre as muitas histórias que continuam vivas através do tempo.

Samantha Lobo é professora, guia de turismo e criadora do projeto Necrotour RJ, que promove visitas guiadas em cemitérios históricos do Rio de Janeiro com foco cultural, educativo e patrimonial.

Ela costuma dizer que os cemitérios ajudam a compreender a própria cidade, suas transformações e desigualdades sociais ao longo da história.

Quem quiser fazer esse passeio é só entrar em contato com a Samantha Lobo no seu Instagram @necroturrj

 

Por Luciana Perez

 

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