Empresa ligada a ministro entra no radar da CPI e provoca reação no Judiciário

tribunadatarde
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O clima nos bastidores da CPI do Crime Organizado no Senado esquentou nesta semana diante da possibilidade de votação, ainda hoje, do pedido de quebra de sigilo fiscal da empresa Maridt, ligada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e a seus irmãos.

Segundo relatos de parlamentares ouvidos pela reportagem, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli teriam atuado pessoalmente junto a senadores para tentar barrar a votação do requerimento. As conversas, de acordo com esses relatos, ocorreram de forma reservada nos últimos dias e intensificaram a tensão entre integrantes do Legislativo e do Judiciário.

A Maridt passou a ser investigada pela comissão após a venda, em 2025, de sua participação no resort Tayayá, empreendimento turístico de alto padrão. A operação despertou o interesse de senadores que integram a CPI, especialmente após surgirem questionamentos sobre a natureza das atividades exercidas pela empresa antes da negociação.

Parlamentares da oposição defendem que a quebra de sigilo fiscal é necessária para esclarecer se a Maridt teria sido utilizada para a prestação de “consultorias” consideradas atípicas ou para a intermediação de repasses financeiros.

De acordo com integrantes da comissão, há indícios de que a empresa teria recebido pagamentos mensais de grandes escritórios de advocacia. A suspeita central é identificar a origem exata desses recursos e, sobretudo, o destino final dos valores após sua entrada na conta da empresa.

Aliados do ministro Dias Toffoli afirmam que a atuação empresarial da família é regular e que qualquer tentativa de vincular a empresa a práticas ilícitas não passa de especulação política. Eles sustentam que a eventual quebra de sigilo representaria uma medida “desproporcional” e com potencial de tensionar ainda mais as relações entre os Poderes.

Já integrantes da CPI argumentam que o instrumento é previsto em lei e faz parte das prerrogativas de investigação do Parlamento. Para esses senadores, o foco não é o cargo ocupado pelo ministro, mas a necessidade de esclarecer fatos relacionados a uma empresa privada que passou a integrar o escopo da investigação.

A eventual aprovação do requerimento pode aprofundar o embate entre Senado e STF, num momento já marcado por divergências públicas entre membros das duas instituições. Especialistas em direito constitucional ouvidos reservadamente avaliam que o caso poderá abrir novo capítulo na discussão sobre os limites de atuação das CPIs quando envolvem autoridades com foro privilegiado ou vínculos indiretos com empresas investigadas.

Até o fechamento desta edição, o STF não havia se manifestado oficialmente sobre o tema. A votação do requerimento deve ocorrer ainda nesta sessão, e o resultado pode redefinir os rumos da investigação e ampliar o debate sobre transparência, conflito de interesses e a relação entre poder público e iniciativa privada.

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