O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), afirmou que a contratação de uma empresa ligada a um sócio do banqueiro Daniel Vorcaro para o fretamento de cruzeiros durante a COP30 seguiu todos os trâmites legais e foi devidamente auditada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
De acordo com informações divulgadas pela coluna do jornalista Igor Gadelha, a Secretaria Especial da COP30, vinculada à Casa Civil, utilizou a Embratur como intermediária para viabilizar o aluguel de navios que serviram como hospedagem para delegações internacionais durante o evento. O custo total da operação foi de R$ 350,2 milhões.
A Embratur não realizou a contratação direta das embarcações. Para isso, firmou acordo com a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda, responsável por fretar os navios junto a duas das principais operadoras do setor: MSC Cruzeiros e Costa Cruzeiros.
A Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Daniel Vorcaro — proprietário do Banco Master — no hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão (SP), um dos destinos turísticos mais conhecidos do país.
Em nota oficial, a Embratur destacou que a escolha da Qualitours ocorreu por meio de chamamento público, assegurando transparência e competitividade ao processo. Segundo a agência, o modelo adotado foi submetido à análise do TCU, que aprovou a contratação por unanimidade.
“No Acórdão 756/2026, o tribunal considerou a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram”, informou a Embratur. O órgão também concluiu que o formato escolhido foi “economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto”.
O processo foi relatado pelo ministro Bruno Dantas. Em sua decisão, ele ressaltou fatores como o déficit de infraestrutura hoteleira no estado do Pará — sede da COP30 — e a natureza atípica da operação. Segundo o magistrado, essas condições dificultariam o interesse da iniciativa privada em disponibilizar embarcações sem garantias ou contrapartidas adequadas, o que justificaria o modelo adotado pelo governo.

