A oposição no Congresso Nacional afirma já ter alcançado o número mínimo de assinaturas para a instalação da CPMI do Banco Master, ultrapassando o piso exigido para uma comissão parlamentar mista de inquérito. Apesar do avanço, um dado chama atenção e passou a ser explorado politicamente nos corredores de Brasília: nenhum parlamentar do PT assinou o requerimento até agora.
A ausência petista ocorre mesmo diante de um escândalo que ganhou repercussão nacional, envolvendo suspeitas consideradas graves, contratos milionários e conexões diretas com o núcleo do poder em Brasília. Para líderes da oposição, o silêncio do partido que costuma levantar a bandeira da “defesa da democracia” expõe um comportamento seletivo quando a investigação se aproxima de aliados ou de figuras influentes.
Nos bastidores, o ponto mais sensível da CPMI mira o entorno do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Reportagens revelaram que o Banco Master teria firmado um contrato que pode chegar a R$ 129 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com pagamentos mensais que despertaram questionamentos públicos e parlamentares.
O caso chegou à Procuradoria-Geral da República, que decidiu arquivar os pedidos de apuração, decisão que, em vez de encerrar o assunto, ampliou a pressão política por uma investigação independente no Congresso Nacional. Para a oposição, o arquivamento reforça a necessidade de luz sobre o caso — algo que, segundo parlamentares, só uma CPMI pode garantir.
A recusa do PT em apoiar a comissão tem sido interpretada como blindagem institucionalizada. “O discurso de transparência é alto, mas a caneta some quando a investigação ameaça o topo do poder”, criticou um deputado da oposição sob reserva. O partido evita qualquer iniciativa que possa constranger o STF ou expor relações incômodas entre política, Judiciário e grandes interesses financeiros.
Enquanto isso, a CPMI avança sem o PT, alimentando a narrativa de dois pesos e duas medidas: rigor máximo contra adversários e complacência quando o escândalo envolve aliados ou figuras protegidas pelo sistema.

